
Sexta-feira era dia de chegar do trabalho, abrir a porta e dar de cara com ele, me esperando, quase sempre me recebendo com um beijo e um abraço. As poucas vezes que eu chegava primeiro que ele, era obrigado a ficar esperando-o no bar da esquina, afinal aquela não era minha casa, eu não tinha a chave, pensando bem melhor assim. As vezes, impaciente, pedia uma cerveja e acendia um cigarro, era a hora que ele chegava e ao invés de dizer "vem, vamos pra casa" ele puxava a cadeira e me dizia "me dá um cigarro".
O final de semana era corrido, mas dava tempo de fazer tudo que a gente queria, tudo dependia de disposição e dinheiro, se bem que várias foram as vezes em que passamos horas sentados na cama, falando besteiras, fumando, dando risadas, as vezes um ddo outro, as vezes de pessoas que nunca tinham passado por ali. Uma coisa que ele falou uma vez e hoje vejo que é a mais pura verdade "se derem dez reais pra nós dois, a gente consegue se diverti e bobear ainda consegue comprar cerveja".
Apesar desses otimos momentos, das doces lembranças, nem tudo foi diversão. Ali, deitados na mesma cama, que de tão pequena comecei a chamar de "cama de viúva", houveram também momentos que um chegou pro outro e perguntou "fala... por que você tá com essa cara?" e aí, o outro, que tentava esconder algo, desabava, era a hora dos cigarros amargos, misturados com lágrimas.
Não lembro se um dia a gente brigou, acho que não. As vezes eu não ia pra lá, ele me ligava e pedia que eu fosse. As vezes eu ligava e falava "posso ir pra aí? Levo cigarro?". Acho que nunca ninguém disse "hoje não" pro outro, se alguma vez disse, certamente o rejeitado guardou bem a data pra tacar na cara numa hora oportuna.
Hoje ele está casado, foi morar junto com o marido, logo o apto palco de tudo isso que falei foi entregue. Toda a vez que passo na Augusta lembro desses dias. Toda vez que encontro ele a gente fala "um dia a gente volta pra lá". Ele está feliz casado, eu estou feliz por ele estar feliz. E como ele mesmo me disse hoje "somos mais casal do que muito casal de verdade, até nossas brigas são de casal". E não é verdade? A amizade acabou? Pelo contrário, continua, adptada, é claro. Como acontece nos seriados de sucesso, as temporadas se passam, os personagens envelhecem, os temas mudam, somem os conflitos colegiais e surgem os temais "adultos", mas a essencia continua lá, não se perde com o tempo nem com mudanças.
Não, não rola nada entre a gente, nunca rolou, é só amizade, ou melhor, casamento.
O final de semana era corrido, mas dava tempo de fazer tudo que a gente queria, tudo dependia de disposição e dinheiro, se bem que várias foram as vezes em que passamos horas sentados na cama, falando besteiras, fumando, dando risadas, as vezes um ddo outro, as vezes de pessoas que nunca tinham passado por ali. Uma coisa que ele falou uma vez e hoje vejo que é a mais pura verdade "se derem dez reais pra nós dois, a gente consegue se diverti e bobear ainda consegue comprar cerveja".
Apesar desses otimos momentos, das doces lembranças, nem tudo foi diversão. Ali, deitados na mesma cama, que de tão pequena comecei a chamar de "cama de viúva", houveram também momentos que um chegou pro outro e perguntou "fala... por que você tá com essa cara?" e aí, o outro, que tentava esconder algo, desabava, era a hora dos cigarros amargos, misturados com lágrimas.
Não lembro se um dia a gente brigou, acho que não. As vezes eu não ia pra lá, ele me ligava e pedia que eu fosse. As vezes eu ligava e falava "posso ir pra aí? Levo cigarro?". Acho que nunca ninguém disse "hoje não" pro outro, se alguma vez disse, certamente o rejeitado guardou bem a data pra tacar na cara numa hora oportuna.
Hoje ele está casado, foi morar junto com o marido, logo o apto palco de tudo isso que falei foi entregue. Toda a vez que passo na Augusta lembro desses dias. Toda vez que encontro ele a gente fala "um dia a gente volta pra lá". Ele está feliz casado, eu estou feliz por ele estar feliz. E como ele mesmo me disse hoje "somos mais casal do que muito casal de verdade, até nossas brigas são de casal". E não é verdade? A amizade acabou? Pelo contrário, continua, adptada, é claro. Como acontece nos seriados de sucesso, as temporadas se passam, os personagens envelhecem, os temas mudam, somem os conflitos colegiais e surgem os temais "adultos", mas a essencia continua lá, não se perde com o tempo nem com mudanças.
Não, não rola nada entre a gente, nunca rolou, é só amizade, ou melhor, casamento.
13 comentários:
... (sem palavras)
Que bom que as coisas boas não precisam acabar, elas se transformam.
Bj
as coisas boas não precisam acabar, elas se transformam [2]
bjux
;-)
o bom disso tudo é que estão bem!
beijos
Essas grandes amizades...
Sempre valem a pena =))
concordo com o rafa.
adorei tua definição para casamento!
=D
bjs, querido.
Clap Clap Clap Clap... isso eu chamaria de cumplicidade, de saber se encontrar no outro e vice-versa. É casamento sim, de duas almas com respeito e consideração, admiração, carinho, eternidade de pensamento, Vontade.
O melhor de todas estas descobertas é saber que ele é uma pessoa para sempre vai te ver assim por sua essência, que fica, que marca, âmbar de toda a eternidade, e não apenas com um perfume que, volátil, se evapora no tempo, restando apenas uma memória vaga de algum momento que já passou.
Provavelmente vocês ainda terão muita história para contar...
Marcelo Poloni.
Nossa, mas que história legal. Realmente gostei. Espero que esteja realmente feliz.
Bjs!
deu um gosto sem tamanho ler a última frase. porque é uma verdade que está tão estampada na nossa cara.
perfeito.
legal demais... poderia virar filme!
O final foi THE BEST. Tb já passei por situação semelhante... no período cenozóico, mas passei!
Hugz, man!
Querido...relendo seu post, nossa... CAIO FERNANDO ABREU deve estar orgulhoso de vocÊ!
precisava te contar isso!
Wellllll... digamos que alguns prazeres mundanos eu (ainda) não me permito... heheheh! Hugz, man!
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